MEU PAI

Minha primeira referência musical é o meu pai. Desde criança (pra não dizer desde que eu estava na barriga de mamãe rs) ouço seu violão tocando bossas e sambas, sambas e bossas. Conheci todas as músicas da Bossa Nova antes de conhecer as músicas da Xuxa ou Balão Mágico.

Meu pai se chama Henrique Benny, gravou discos e compactos nos Rio de Janeiro, depois se mudou pra São Paulo, onde trabalhou em hotéis, restaurantes… Conheci de perto a difícil vida de músico e ouvi muitas, muitas histórias.

Meu pai já não está mais por aqui, ano passado completou uma década. Mas a marca ficou, claro. Dedico este post a ele e vou colocar aqui embaixo uma playlist do Youtube com 7 músicas que ele gravou nos anos 60 (Gravadora RCA Victor), ao lado de grandes músicos como Edison Machado e JT Meirelles.

(Clique no PLAY para ouvir todas na sequência ou clique na seta no canto superior esquerdo para escolher as faixas)

 

QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Pra você, qual foi a música do Carnaval 2018? Vou dizer aqui qual foi a música do Carnaval 1959! ahahah Uma música de carnaval diferente. Que não fala da folia das noites, mas sim da calmaria, da beleza e do sentimento de esperança, de renovação do nascer de um DIA de carnaval. Pode ser a quarta-feira de cinzas.

“Manhã, tão bonita manhã… / Na vida, uma nova canção”

A composição é de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Uma composição de 1959 que foi tema do filme Orfeu Negro e tornou o brasileiro Luiz Bonfá famoso internacionalmente. (Inclusive bem mais famoso do que é hoje nacionalmente)  Bonfá foi um dos ídolos do Tom Jobim e também foi um grande amigo. No início da carreira, Tom carregava seus amplificadores, como disse numa entrevista:

“Gravei muita música dele e com ele. No início, quando gravávamos juntos, era eu quem carregava aqueles aparelhos pesadíssimos, os amplificadores do violão dele”

A música (e o autor) são considerados como base do início da Bossa Nova. Aqui o próprio Luiz Bonfá canta a música em um programa de TV dos Estados Unidos, no ano de 1963, ao lado do cantor americano Perry Como, que inclusive canta uma estrofe da música em inglês.

Agora a versão de João Gilberto, também de 1959

A música foi gravada por muitos, MUITOS artistas. Até pelos 3 Tenores

Frank Sinatra

A violonista japonesa Xuefei Yang

E também (veja que inusitado) por um trio de DJs libaneses, em um projeto chamado THE REG PROJECT que tinha o objetivo de fazer versões mais dançantes de músicas libanesas e árabes. De última hora a música brazuca Manhã de Carnaval também foi escolhida, a versão pode ser ouvida abaixo (Spotify)

Pra fechar, a versão instrumental do Rio65Trio (trio brasileiro de sambajazz)

Pra saber mais sobre a história da música e pra ver todos os artistas que fizeram suas versões, clique AQUI e veja a descrição do WIKIPÉDIA.

PS: quem se interessar no assunto do filme Orfeu Negro, clique aqui e leia matéria da Revista Usina falando da peça Orfeu da Conceição, que foi feita anos antes do filme. Foi escrita por Vinícius de Morais e teve cenários de Oscar Niemeyer! 🙂 Além de outras curiosidades rs A imagem de capa deste post é do filme, a atriz que aparece na foto se chama Marpessa Dawn.

 

CARNAVAL 2018

Ontem Gilberto Gil foi fotografado junto ao amigo Zeca Pagodinho no Carnaval de São Paulo. Belo registro de dois nomes muito importantes na música brasileira.

gil e zeca.jpg

Vou aproveitar a foto pra fazer um rápido post misturando músicas de dois grandes discos, um do Gil e outro do Zeca.

Do Zeca é o Acústico Gafieira, um disco com grandes clássicos do samba. Do Gil é o Gilbertos Samba, uma homenagem a João Gilberto, só com músicas que também foram gravadas por ele, grande ídolo de Gil.

Segue abaixo a playlist no Spotify com 7 músicas de cada disco.

A MADEIRA DO NOGUEIRA

Nó na madeira! Esse é o nome de uma das músicas do grande sambista João Nogueira. Tem duas versões bem interessantes dessa música. Uma com o Djavan e outra com o filho Diogo Nogueira, cantando ao lado dos músicos Yamandu Costa e Hamilton de Holanda. Olha aí:

Gostaram? Pra quem não conhece a obra do João (ou DESTE João, porque são tantos Joões) fica a sugestão de escutar o disco Espelho. Um clássico.

A versão original de Nó na Madeira não tá nesse disco, mas dá pra achar fácil no Spotify ou Youtube.

Falei mais do João Nogueira no post sobre o letrista Paulo César Pinheiro. (os dois são parceiros de longa data)

Um feliz 2018 a todos! Com mais foco, mais paz, mais amor e mais música boa. Mas não aquela que toca no programa do Multishow! rs

ROSA PASSOS

O post hoje era só pra mostrar um vídeo. (Mas claro que depois acabou crescendo, pois aí vou lembrando de outro vídeo, de outras músicas etc) O tal vídeo é do violonista carioca Hélio Delmiro dando uma canja num show da cantora baiana Rosa Passos. O que acho interessante no vídeo é um detalhe que acontece nos exatos 02:56. A Rosa dá uma nota meio “jazzística” pra dar uma provocada no Hélio. E o Hélio prontamente responde, fazendo um acorde com essa nota. Tudo improvisado. Coisas que eu gosto de ver e ficar repetindo. rs

E já que estamos falando da Rosa Passos, vamos um pouco além. No vídeo abaixo, a conterrânea Ivete Sangalo canta com ela a música Dunas, de autoria da própria Rosa.

O destaque deste vídeo fica no 3:06, com a palavra “Alecrim” cantada com sutileza e suavidade por Rosa Passos 🙂 Seguida pelo olhar de fã da Ivete Sangalo. rs

Além das composições próprias, Rosa Passos é marcada pelas belas interpretações de compositores consagrados. Um disco legal pra destacar é este, que reúne interpretações de músicas dos dinossauros Ary Barroso, Tom Jobim e Dorival Caymmi. (E tem um outro disco só com músicas do Djavan)

JOÃO GILBERTO

Notícia triste hoje falando que o João Gilberto, com a saúde fragilizada, foi interditado pela filha Bebel, que veio de Nova York pra cuidar do pai.

O motivo da interdição judicial divulgado na notícia foi o seguinte: “para pôr fim aos negócios temerários que João vinha sendo orientado a firmar, que resultaram na atual condição de quase miserabilidade do artista”.

Existe uma briga da atual mulher dele com os filhos. Que é explicada em detalhes nesta matéria do UOL. (E também nesta outra)

O jornalista Kiko Nogueira escreveu hoje sobre o caso na sua coluna no DCM.

Maior do que as polêmicas, a ganância e as divergências familiares é a bela obra do gênio João Gilberto. Nosso apoio, nossas orações e nosso PLAY 🙂

UAKTI & PHILIP GLASS

Philip Glass é um músico americano, seu estilo é chamado de minimalista, embora ele não goste dessa expressão. Ele já fez muitas trilhas pra filmes e até óperas, uma delas se chama Einstein on the Beach.

UAKTI é um grupo brasileiro, mineiro, instrumental, experimental. O disco que vou colocar aqui hoje é um registro da parceria entre os dois. Philip Glass e o grupo UAKTI. O disco se chama Águas da Amazônia, cada música tem o nome de um rio. Segue o disco no Spotify:

A segunda música do disco, Japurá River, foi usada como trilha deste comercial americano da Nokia:

Pra terminar, o grupo UAKTI tocando essa mesma música (e também sua colega de disco Tiquiê River) no Sesc Consolação, em 2012.

O Philip Glass gosta muito do Brasil, já esteve aqui várias vezes, fez um disco com o tema de Itaipu, fez trilhas pra alguns curtas do diretor baiano Lázaro Faria. Seguem os links pro wikipédia do Philip Glass e do UAKTI.