QUARTA-FEIRA DE CINZAS

Pra você, qual foi a música do Carnaval 2018? Vou dizer aqui qual foi a música do Carnaval 1959! ahahah Uma música de carnaval diferente. Que não fala da folia das noites, mas sim da calmaria, da beleza e do sentimento de esperança, de renovação do nascer de um DIA de carnaval. Pode ser a quarta-feira de cinzas.

“Manhã, tão bonita manhã… / Na vida, uma nova canção”

A composição é de Luiz Bonfá e Antônio Maria. Uma composição de 1959 que foi tema do filme Orfeu Negro e tornou o brasileiro Luiz Bonfá famoso internacionalmente. (Inclusive bem mais famoso do que é hoje nacionalmente)  Bonfá foi um dos ídolos do Tom Jobim e também foi um grande amigo. No início da carreira, Tom carregava seus amplificadores, como disse numa entrevista:

“Gravei muita música dele e com ele. No início, quando gravávamos juntos, era eu quem carregava aqueles aparelhos pesadíssimos, os amplificadores do violão dele”

A música (e o autor) são considerados como base do início da Bossa Nova. Aqui o próprio Luiz Bonfá canta a música em um programa de TV dos Estados Unidos, no ano de 1963, ao lado do cantor americano Perry Como, que inclusive canta uma estrofe da música em inglês.

Agora a versão de João Gilberto, também de 1959

A música foi gravada por muitos, MUITOS artistas. Até pelos 3 Tenores

Frank Sinatra

A violonista japonesa Xuefei Yang

E também (veja que inusitado) por um trio de DJs libaneses, em um projeto chamado THE REG PROJECT que tinha o objetivo de fazer versões mais dançantes de músicas libanesas e árabes. De última hora a música brazuca Manhã de Carnaval também foi escolhida, a versão pode ser ouvida abaixo (Spotify)

Pra fechar, a versão instrumental do Rio65Trio (trio brasileiro de sambajazz)

Pra saber mais sobre a história da música e pra ver todos os artistas que fizeram suas versões, clique AQUI e veja a descrição do WIKIPÉDIA.

PS: quem se interessar no assunto do filme Orfeu Negro, clique aqui e leia matéria da Revista Usina falando da peça Orfeu da Conceição, que foi feita anos antes do filme. Foi escrita por Vinícius de Morais e teve cenários de Oscar Niemeyer! 🙂 Além de outras curiosidades rs A imagem de capa deste post é do filme, a atriz que aparece na foto se chama Marpessa Dawn.

 

MUITO ALÉM DA MÚSICA

Em 2017 completa meio século que o mundo perdeu um dos maiores gênios do jazz, John Coltrane. Mas pra ele era muito mais do que jazz. Era arte. Era uma busca constante de superação e elevação. Era um contato com Deus. (!)

Pesquisando sobre o tema encontrei um podcast que fala sobre essa visão ampla que ele tinha do que considerava sua missão de vida. É um podcast do NEXO JORNAL, que fez uma abordagem muito completa e competente, citando pontos importantes e convidando músicos brasileiros para dar depoimentos.

Vou compartilhar aqui o link original do podcast. É só clicar no PLAY, vale a pena ouvir! E mais abaixo vou inserir um disco que é citado no fim do podcast, o disco que o Coltrane fez em parceria com o cantor Johnny Hartman. Um disco para acalmar o coração. eheheh 🙂

Olha aí o disco com o Hartman:

 

O podcast tem várias outras referências interessantes pra quem quiser começar a desbravar o universo desse grande cara chamado John Coltrane. (pra ouvir outros episódios ou pra assinar o podcast do NEXO, clique aqui)

ROSA PASSOS

O post hoje era só pra mostrar um vídeo. (Mas claro que depois acabou crescendo, pois aí vou lembrando de outro vídeo, de outras músicas etc) O tal vídeo é do violonista carioca Hélio Delmiro dando uma canja num show da cantora baiana Rosa Passos. O que acho interessante no vídeo é um detalhe que acontece nos exatos 02:56. A Rosa dá uma nota meio “jazzística” pra dar uma provocada no Hélio. E o Hélio prontamente responde, fazendo um acorde com essa nota. Tudo improvisado. Coisas que eu gosto de ver e ficar repetindo. rs

E já que estamos falando da Rosa Passos, vamos um pouco além. No vídeo abaixo, a conterrânea Ivete Sangalo canta com ela a música Dunas, de autoria da própria Rosa.

O destaque deste vídeo fica no 3:06, com a palavra “Alecrim” cantada com sutileza e suavidade por Rosa Passos 🙂 Seguida pelo olhar de fã da Ivete Sangalo. rs

Além das composições próprias, Rosa Passos é marcada pelas belas interpretações de compositores consagrados. Um disco legal pra destacar é este, que reúne interpretações de músicas dos dinossauros Ary Barroso, Tom Jobim e Dorival Caymmi. (E tem um outro disco só com músicas do Djavan)

YAMANDU E PENEZZI

Quebranto.jpg

Nos dias 18 e 19 de novembro tem apresentação duo dos violonistas Yamandu Costa e Alessando Penezzi, no Sesc Pompeia, São Paulo. (ingressos aqui)

Essa é a capa do disco que os dois lançaram juntos este ano, “Quebranto”.

Texto do site do sesc:

O título do CD, “Quebranto”, vem de uma composição de Penezzi, que assim foi batizada por Yamandu. E gerou a ilustração de capa, resultado de uma pesquisa na obra do artista gráfico paulista Stephan Doitschinoff.

Depoimento do Yamandu:

“Esta capa é referente à linguagem latina de forma geral, uma linguagem cigana, mundana, e que tem a ver com o violão que a gente toca. Por isso nós acabamos chegando nesse nome, Quebranto, como se fossem os violões conquistando a mulher na roda de fogo, em um ambiente festivo, zíngaro, gitano”.

E os dois falando um pouco sobre o disco:

Escute o disco no Spotify:

 

JAZZ NA PRAIA

Amanhã (quarta, 11/10/17) começa oficialmente o festival Ilhabela In Jazz. (Eu disse “oficialmente” porque a cidade já está recebendo vários shows de aquecimento, programação completa aqui: https://www.ilhabelainjazz.com.br/programacao)

Na noite de amanhã vai tocar o lendário Dr. Lonnie Smith.

loonie - ilha bela.jpg

Aos 75 anos e mais produtivo do que nunca. Na mesma noite tocam Yamandu Costa e Jazz Cigano Quinteto. Nas outras noites tem Amilton Godoy, João Donato, Barbatuques, Trio Ciclos. Fiz um print das atrações de quarta a sábado:

ilha bela.png

A produção do festival fez uma playlist com músicas dos participantes deste ano:

E pra fechar eu vou deixar aqui só uma música do Dr. Lonnie Smith. Se chama Play It Back, um jazz funk nervoso responsa que abre o disco Evolution, lançado ano passado.

 

DIA DO MOACIR

Hoje é aniversário do Moacir Santos.

– Quem?

O gênio, o mito. rs O famoso criador das COISAS. Lançou em 1965 um disco só de músicas instrumentais, disco histórico que ele batizou de COISAS. Em vez de dar nomes normais pras músicas, ele nomeou como Coisa N° 1″, Coisa N°2, Coisa N°3 etc…

Hoje o Moacir faria 91 anos. Faleceu com 80, em 2006. Eu tive a sorte de ver um show em homenagem a ele em 2005. Com o próprio assistindo da primeira fila, emocionado. E algumas vezes subindo no palco. Encontrei alguns trechos e entrevistas desse show.

Primeiro, o João Bosco falando sobre o “Coisas” e depois cantando “Oduduá”

 

Segundo, o Djavan também falando um pouco do Moacir e cantando “Sou eu”

Terceiro, o próprio tio Moacir dando um depoimento emocionado antes do show começar:

Pra terminar, o link do Moacir Santos no Wikipédia e o disco Ouro Negro (que tem todas as coisas e outras obras do mestre) no Spotify:

Este disco Ouro Negro faz parte de um projeto que também virou show. Aconteceu em 2001, eu assisti também no Sesc Pinheiros, graças ao meu amigo Marcel, que me chamou na ocasião eheheh O DVD pode ser encontrado na íntegra no Youtube.

O projeto tem idealização e produção musical de Mário Adnet e Zé Nogueira.

Pra terminar, um registro da cantora Céu interpretando um dos clássicos de Moacir Santos, “Nanã”.

Viva Moacir Santos 🙂

 

ELIS E CESAR

Este vídeo é de 1973. Elis Regina à vontade com uma banda excelente e muito bem entrosada. A música é Águas de Março, de Tom Jobim, que já foi eleita a melhor música brasileira de todos os tempos, em 2001.

Um fato curioso acontece exatamente aos 3:40. A partir de 3:20 ela e o Cesar (o arranjador, o então marido e pianista da banda) fazem umas firulas. Ela canta uma palavra e ele “responde” com o piano. Até que nos 3:40 ele improvisa uma nota diferente. Por achar criativo, inusitado, a Elis solta uma risada. É bem espontâneo. Coisas que eu observo e fico repetindo o trecho pra ver de novo. rs (Essas coisas acontecem mais na música instrumental, quando um músico acaba surpreendendo o outro, que reage com uma risada) Diálogos musicais de dois gênios 🙂

Cesar Camargo Mariano é um excelente músico, excelente arranjador. Já trabalhou com os melhores artistas do Brasil, hoje mora nos Estados Unidos onde continua produzindo, gravando e se apresentando com alguns dos melhores músicos do mundo.

O vídeo da Elis é da apresentação no programa Ensaio, da TV Cultura. E pode ser assistido na íntegra neste outro vídeo aqui embaixo.

Ah, falando em Cesar, quem admira o trabalho dele ou quer conhecer mais da sua história, uma ótima indicação é o livro que ele lançou pela Editora Leya. Tem muitas boas histórias (Com a Elis, Wilson Simonal, Tom Jobim, Johnny Alf e muitas outras feras) e é incrivelmente bem escrito, pelo próprio Cesar.

livro_cesar

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=D

Fiz um post falando um pouco mais do Cesar, no seu aniversário de 73 anos. Para ver este post clique aqui.